quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Os "PIGS" da Europa

"Portugal, Italy, Greece, And Spain, The PIGS Of Europe"

O débito latino e a informalidade da economia destes países é a mais elevada na Europa. O termo é usado correntemente por toda a Europa não apenas como chacota mas faz parte da linguagem corrente dos economistas e dos mass media europeus.

Leia-se no WIKIPEDIA:
"PIGS é um acrónimo pejorativo usado por vezes na imprensa de língua inglesa, sobretudo britânica, para designar o conjunto das economias de Portugal, Itália, Grécia e Espanha ("Spain" em inglês)..."
"Em Setembro de 2008 o uso do acrónimo pelo jornal Finantial Times levou ao protesto de empresários espanhóis e do ministro português da economia. Mas já antes havia sido usado por publicações como a Newsweek, The Economist ou o jornal The Times."
Consulte aqui

Por vezes aparecemos em primeiro, mas normalmente é nas coisas más.


Estudo informalidade da Economia Portuguesa

Cá está um bom exemplo de um estudo sobre a Economia Informal em Portugal. É de louvar este trabalho para que se perceba a dimensão da fuga aos impostos e o impacto negativo que isso gera nas desigualdades sociais e no funcionamento da economia e das instituições públicas (do Governo) e privadas. Notem algumas medidas correctivas apresentadas.

Ficam as sugestões deste estudo para que o país deixe de ser dos mais atrasados.

Este estudo, elaborado pelo Centro de Estudos de Gestão e Economia Aplicada da Faculdade de Economia e Gestão da Universidade Católica Portuguesa (Porto), teve por objectivos fundamentais:


1. Analisar os mecanismos que incentivam ou, no mínimo, permitem a existência da Economia Informal, identificando as suas causas e consequências.


2. Propor instrumentos e políticas relativos ao Sistema fiscal, ao Sistema de Justiça, aos Processos de Licenciamento e, em geral, a todas as áreas geradoras de “custos de contexto”, que contribuam para a redução do grau de incidência da Economia Informal no nosso País.

CONSULTE OS FICHEIROS:
Síntese do estudo
Powerpoint de apresentação

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Querido IRS,

Economia Informal em Portugal

Estima-se que a economia informal em Portugal seja de cerca de 23%.

Mas o que vemos na realidade, em comparação com os restantes países europeus, é algo bem diferente, para pior:

a) basta olhar para o parque automóvel em Portugal: Mercedes, BMW, Audi e outras marcas de topo são aos montes nas estradas e a quantidade de carros com menos de 4 anos de idade é enorme em relação a outros países da Europa;

b) olhem para os casarões e para as viagens de férias ao exterior à grande...

Esses sim são so verdadeiros indicadores de riqueza. Tenho a certeza que a economia informal em Portugal é superior a 30% e eventualmente arriscaria a dizer que chega perto dos 40%... Mas esses números só se encontram em países africanos... (será??)


Na pior das hipóteses, cada 300 euros em circulação em Portugal deviam garantir ao Estado 100 euros de receita.

Mas isso não acontece... Porquê?

Simples:




(Fonte: Gabinete de Prospectiva do Ministério da Economia)

O pessoal não declara... mete no bolso...

E a nossa produtividade como é reflectida?



Em 2007 o PIB português foi de $210,1 biliões...
Se a economia informal é de 23% o PIB estimado seria de $258 B
Se a economia informal é de 30% o PIB estimado seria de $273 B

O PIB per Capita é de $19,1... Estamos em 53º lugar entre os vários países
Se o PIB per Capita fosse de $23,5 (mais 23%) estaríamos em 43º lugar...

Dados económicos em:
http://www.indexmundi.com/pt/portugal/

Contas simples...

Se o carpinteiro a quem comprei os móveis ganhar o mesmo que eu e não declarar à Segurança Social e ao IRS... Por cada 100 euros eu fico com 69 euros e ele com os 100... É uma diferença de 31%...

Por cada 100 euros que eu produzo a minha empresa vai declarar e pagar 21% ao Estado, fica com 79 euros... Por cada 100 euros que o carpinteiro produza e não declara fica com ele todo no bolso...

Isto quer dizer que, grosso modo, se eu juntar dinheiro para comprar um carro e ele fizer igual... Ao fim de algum tempo se eu arrecadar 20.000 euros ele poderá arrecadar mais 52% do que eu... Cerca de 40.000 euros

Eu vou comprar um Ford Focus 1.4 a gasolina (será que chega?) e ele vai comprar um BMW 320 D... Se fizermos casa a dele terá o dobro do tamanho da minha... Etc...


Curioso, não é??


O mesmo se aplica a muitas outras actividades... Isto é apenas um pequeno exemplo... Imagine isto à escala das empresas com maior dimensão...

Quantas vezes pede recibo das suas compras???

Quando vai ao médico, quando vai tomar café, quando paga a conta no restaurante, quando compra uma casa faz a escritura pelo preço abaixo da compra, quando chama o picheleiro, quando compra os móveis, etc...

Portugal NÃO Contribuinte...

1. Quando a empresa não faz os descontos dos meus 100 euros para o IRS e para a Segurança Social, mete 54,75 euros no bolso do meu patrão

2. por cada 100 euros de riqueza que eu produzo e que a empresa não declara, o meu patrão mete 33 euros ao bolso. É curioso que em Portugal as empresas apresentam lucro = zero (coincidência ou engenharia financeira?).

EM RESUMO:

Em cada 300 euros, não são declarados 109 euros... 36,3%... UM TERÇO do rendimento

Cada vez que eu, no supermercado, no café, no restaurante, no mecânico, no carpinteiro, no canalizador, no advogado, no médico, etc. , gasto os 100 euros que a minha empresa me pagou, e que estes estas empresas ou trabalhadores individuais não declaram ao Estado, estes patrões metem 21 euros ao bolso.

Portugal Contribuinte...

De facto, os impostos que pagamos diariamente são um exagero. Podemos tirar alguns exemplos demonstrativos dos impostos cobrados:

1. Em cada 100 euros que a minha empresa paga pela minha força de trabalho, o Estado, e muito bem, reclama 20 euros para o IRS e 11 euros para a Segurança Social.

São 31 euros que eu pago da minha remuneração.

2. A minha empresa, por cada 100 euros que paga pela minha força de trabalho, deve dar ao Estado, e muito bem, mais 23,75 euros para a Segurança Social.

Em suma, com base na minha remuneração de 100 euros são pagos ao Estado 54,75 euros

3. E por cada 100 euros de riqueza que eu produzo, o Estado, e muito bem, deve receber da empresa em que trabalho 33 euros.

4. Cada vez que eu, no supermercado, gasto os 100 euros que a minha empresa me pagou, o Estado, e muito bem, fica com 21 euros de IVA para si.


EM RESUMO:

a)Quando ganho 100 euros, o Estado tem direito a 55.
b) Quando gasto 100 euros, o Estado, no mínimo, tem direito a 21.
c) Quando lucro 100 euros, o Estado tem direito a 33.
d) Quando compro um carro, uma casa, herdo um quadro, ganho na bolsa, registo os meus negócios ou peço uma certidão, o Estado, e muito bem, fica com quase metade das verbas envolvidas.